quinta-feira, 27 de abril de 2017

Homenagem a Série Olhar Clandestino

O Zine Gueto - Metragem aproveitou que esse mês a Companhia Bueiro Aberto lançará a Série Olhar Clandestino, produzida de forma independente e quase toda filmada na cidade de Guarulhos, grande SP, para adentrar esse trabalho na nossa segunda edição.


Sendo assim, as colunas estarão sempre dialogando com a construção dos cinco curtas/episódios suburbanos que compõem o projeto, os filmes analisados serão as inspirações que motivaram quem criou e realizou, bem como a entrevista do mês. 

Lançamento durante sessão do Cineclube Incinerante.



Lançamento da nossa Segunda Edição



Esgotada a primeira edição


No dia 25 de março, Espaço Arranca, na quebrada, durante sessão do Cineclube Incinerante que estreou o filme "Doc. Solidão, da Companhia Bueiro Aberto, e debate com a diretora Janaina Reis, lançamos a primeira edição do Zine Gueto - Metragem com textos diversos sobre referências atuais, clássicas e reflexões acerca do Gueto do Cinema.

No mês de abril terminamos de distribuir os 500 exemplares, trabalho de formiguinha quase sempre mediado pelo diálogo na apresentação do nosso trampo.


O Zine nasceu e segue pro mundo!


quarta-feira, 22 de março de 2017

ROTEIRO DE FICÇÃO, DA IDEIA AO PAPEL

A coluna Oficina de Cinema trará dicas de "Roteiro de Ficção". Todas elas construídas no contínuo processo de aprendizado que a Companhia Bueiro Aberto faz durante a produção de seus filmes. Desde à forte referência na cultura popular, na contação de causos, histórias verídicas ou não que estão por aí em guetos urbanos até a relação com a lirteratura brasileira, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Clarice Lispector e Machado de Assis.

Passar da ideia ao papel é a grande dificuldade apontada por diversas pessoas interessadas em escrever um roteiro de cinema. Por isso, traremos algumas ferramentas importantes na tradição dos manuais de roteiro, que precisamos aprender  até para serem subvertidas, tais como Story Line, Argumento, Personagem, Enredo etc.


O CINEMA DE HUMBERTO MAURO

Quem são nossas referências históricas? Não existe uma arte pura, totalmente nova, sempre somos influenciados por movimentos e personalidades que marcaram a história do cinema em suas mais diferentes estéticas, nacionalidades, gêneros. A tradição representa um grande prato que comemos compulsivamente, desde o cinema soviético, a Novelle Vague, o Neorealismo Italiano, Hollywood, o cinema comercial, o cinema novo, marginal. Depois do banquete vem a digestão disso tudo no nosso cinema.


Na coluna "Comendo a História" desse mês analisaremos o cinema do saudoso Humberto Mauro, através do filme "Ganga Bruta" (1933). Além de ser aclamado por cineastas da estirpe de Glauber Rocha e de ser considerado o pai do cinema brasileiro, numa vasta obra entre ficções e documentários, Humberto nesse filme trabalha temas como o erotismo, a vingança, o uso de diversas cãmeras, a experimentação do som, tudo numa época em que o cinema ainda se descobria como linguagem.


terça-feira, 21 de março de 2017

ENTREVISTA COM A CINEASTA JANAINA REIS

A primeira entrevistada da nossa coluna será a diretora e atriz Janaina Reis, que já produziu diversos filmes conosco e lança agora esse mês o documentário Doc. Solidão, um filme sensível, feito na raça, que reflete a solidão de quatro personagens da grande cidade.

Janaina nos contou um pouco de sua trajetória na arte independente, sua luta para sobreviver como mãe solteira da periferia, o início de seu interesse por cinema, os filmes que participou, o processo das obras, os planos que prefere filmar, os temas que gosta de abordar e o corre que é nadar contra a maré num cinema que não tem o mínimo apoio na nossa cidade.

A primeira edição do Zine Gueto - Metragem sai agora, dia 25 de março, não percam. Confere aí uma palhinha da entrevista:

"JANAINA: Acho que faz parte até de como a cidade que vivemos (Guarulhos, grande SP) pensa a cultura, a gente faz porque tem paixão, é isso que move os coletivos, muito mais do que as condições objetivas. Política pública é zero, espaço é zero, então lançamos mão dos nossos meios, amigos, a galera que tá junto, lutando contra todos os empecilhos, ainda assim produzimos filmes bons. Vamos tentando disputar espaços, mas até aí sofremos com a ausência de um suporte na distribuição desses filmes. Qual a oferta de cinema que o público da cidade tem? O Cinemark, Shoppings, Sala 4D, cadê um cinema público que passe filmes de outros produtores? Male male se consegue um movimento como o projeto Cineclube Incinerante, feito por coletivo, ou nós mesmos que exibimos em saraus, espaços e eventos, vai cavando as possibilidades de distribuição. Então a gente, desde o começo, pré- produção do filme, a produção, a distribuição, a gente tá o tempo inteiro com tudo contra. Tudo se faz pelo desejo de comunicar nossa ideia, falar de problemas que são nossos enquanto seres humanos, da nossa quebrada, do meu íntimo, do nosso país, são conteúdos firmes, não é uma coisa vazia."




REFLEXÃO SOBRE AS SALAS DE EXIBIÇÃO

Depois de todo trampo que é produzir um filme sem financiamento, começamos outra batalha, a distrbuição, queremos comunicar algo, fazer chegar nas pessoas. Talvez este seja o maior desafio. Aqui, vamos refletir sobre os mais variados meios de exibição que dispõe o cinema independente, bem como a relação com o público. Temos como base o desejo de que nosso cinema seja cada vez mais visto, sobretudo nas quebradas.


Nesse mês, o Zine trará uma discussão sobre "Salas de Exibição", na verdade, sobre a experiência de ver um filme em público, coisa que muitos dizem ter morrido devido à internet. Sem espaço nos cinemas, é como se a gente criasse nossas próprias salas nos muros.

(Exibição do filme "Minhas Composições no Espaço Arranca, periferia de Guarulhos)